quarta-feira, 30 de abril de 2008

TRILOGIA DOS DÓLARES (1964-1965-1966) - Sergio Leone

Tramas

A trilogia é baseada em aventuras de caçadores de recompensas no velho oeste americano, com Clint Eastwood interpretando sempre um pistoleiro sem nome que arma planos e truques sofisticados para pegar os bandidos, além, é claro, de possuir uma pontaria das mais certeiras da história do western.

O primeiro filme é uma versão do japonês Yojimbo, de Akira Kurosawa. No segundo, há duelos e confrontos fantásticos de Eastwood com personagens interpretados por atores que se tornariam astros do gênero (Klaus Kinski e Lee Van Cleef). Também há muitas explosões, com Eastwood fazendo uso de bananas de dinamite. E no terceiro, o famoso "triplo confronto" no clímax final, embalado pela música de Ennio Morricone.

Eastwood exploraria novas variações do seu personagem quando voltou para os Estados Unidos (por duas vezes - The Pale Rider (Cavaleiro solitário, no Brasil) e High Plains Drifter (O estranho sem nome, no Brasil) o misterioso pistoleiro apareceria em versões que o mostravam como um tipo de estranho vingador "sobrenatural", por exemplo, o que justificaria as capacidades extraordinárias vistas nos outros filmes) - e até mesmo realizaria uma espécie de despedida (amarga), mostrando o que seria uma faceta humana do grande cowboy, no premiado Unforgiven (Os imperdoáveis, no Brasil).

TRILHAS SONORAS

Grande parte da emoção provocada nos filmes de western spaghetti, se deve às superlativas trilhas sonoras compostas pelo compositor italiano Ennio Morricone, que figuram entre as mais belas da história do cinema como um todo.

Ao contrário de trilhas excessivamente vibrantes ou heróicas ou simplesmente mal editadas (vide o tema de Os Sete Magníficos, The Magnificent Seven, cujo belo tema é tocado desnecessariamente e em momentos equivocados até à exaustão) geralmente comuns à maioria dos filmes dos westerns até então, a trilha de Ennio Morricone trouxe substância e sensibilidade: sons de assovio, que remetem à solidão do vaqueiro, sons de guitarra flamenca, que remetem à Espanha e ao deserto do oriente médio, sons de gaita imitando a respiração de um moribundo, suaves sons de xilofone acompanhando à contagem regressiva de um relógio de bolso, corais que remetem ao som dos coiotes e corais angelicais que transmitem redenção espiritual ao meio à aridez do deserto são alguns dos criativos componentes que Ennio Morricone trouxe ao gênero.

Em uma nota mais recente, a trilha sonora do filme Il buono, il brutto, il cattivo, The Ecstasy of Gold, foi interpretada pela orquestra de San Francisco regida pelo maestro Michael Kamen, no advento do concerto do Metallica S&M (Symphony And Metallica) de 1999.

O tema de Once Upon a Time in the West foi também gravado pela cantora de fado portuguêsa Dulce Pontes, no CD "Focus" de 2003.

Temas de Ennio Morricone para a trilogia dos dólares também temperaram a trilha do filme Kill Bill: Volume 2, do diretor Quentin Tarantino, que de certa forma homenageia o clima dos westerns.

A trilogia El Mariachi, Desperado e Once Upon a Time in Mexico, do diretor mexicano Robert Rodriguez, também é uma clara homenagem à trilogia de Sergio Leone.


POR UM PUNHADO DE DÓLARES
cartaz de por um ppunhado de dólares

Per un pugno di dollari



EUA

1964 ı cor ı 99 min
Dirigido por: Sergio Leone
Elenco Clint Eastwood
Marianne Koch
John Wells
Antonio Prieto
Richard Stuyvesant
Roteiro/Guião A. Bonzzoni
Victor Andrés Catena
Sergio Leone
Jaime Comas Gil

Género Ação
Western
Idioma Inglês
IMDb


Por um punhado de dólares ou Per un pugno di dollari (em italiano), ou ainda A Fistful of Dollars (em inglês), é um filme de 1964 dirigido pelo italiano, Sergio Leone, e com a atuação principal de Clint Eastwood. O filme iniciou a popularidade dos gênero "Spaghetti western" e faz parte da trilogia dos dólares (como é comumente conhecida). Os filmes seguintes foram Por uns dólares a mais (Per qualche dollaro in più) e Três homens em conflito (Il buono, il brutto, il cattivo), também com a atuação de Clint Eastwood. Em ambos os filmes, o personagem de Eastwood não diz o seu nome, recebendo então apelidos de outros personagens, como Joe ou Blondie.


Sinopse
Aviso: Este artigo ou seção contém revelações sobre o enredo (spoilers).

No filme, Clint Eastwood é um pistoleiro que chega a uma cidade dividida por duas gangues rivais, os Rojos e os Baxters. Ele se aproveita desta rivalidade para enriquecer ao mesmo tempo em que procura ajudar uma família injustiçada na cidade (o pai da família teve a sua esposa raptada por um dos grupos). O vilão é interpretado pelo italiano Gian Maria Volontè.


Influências

O filme teria sido inspirado em Yojimbo de Akira Kurosawa (escrito por Kurosawa e Ryuzo Kikushima). Acredita-se que este, por sua vez, seria baseado no romance Red Harvest, de Dashiell Hammett, apesar de não ter sido creditado.

Kurosawa insistiu em receber compensações, escrevendo a Leone: "é um ótimo filme, mas é o meu filme". Após certo tempo, os produtores de Kurosawa conseguiram obter uma compensação de cem mil dólares, mais 15% da fatura do filme na Ásia. Mais tarde, Kurosawa reconhece o filme como um remake digno de Yojimbo.

Torrent de "Por um Punhado de Dólares"

POR UNS DÓLARES A MAIS


Per qualche dollaro in più

EUA

1965 ı cor ı 131 min
Dirigido por: Sergio Leone
Elenco Clint Eastwood
Lee van Cleef
Gian Maria Volonté
Klaus Kinski
Roteiro/Guião Fulvio Montella
Sergio Leone
Luciano Vincenzoni

Género Ação
Western
Idioma Inglês
IMDb


Per qualche dollaro in più ou For a Few Dollars More (Estados Unidos) é um filme italiano de 1965 do gênero western (western spaghetti) dirigido por Sergio Leone. Lançado nos Estados Unidos em 1967, o filme é a segunda parte da chamada Trilogia dos Dólares do diretor Leone. Clint Eastwood é o protagonista deste e dos outros filmes, sempre interpretando um Pistoleiro sem nome, papel que o celebrizou no cinema.


Elenco
Clint Eastwood...Pistoleiro sem Nome (às vezes chamado de "Monco")
Lee Van Cleef... Coronel Douglas Mortimer
Gian Maria Volonté... El Índio
Mara Krupp...Mary (como Mara Krup)
Luigi Pistilli...Groggy
Klaus Kinski...Wild
Joseph Egger...Velho Profeta (como Josef Egger)
Panos Papadopulos...Sancho Perez (como Panos Papadopoulos)
Benito Stefanelli...Luke
Roberto Camardiel... funcionário da Estação (como Robert Camardiel)
Aldo Sambrell...Cuccillo
Luis Rodríguez (como Luis Rodriguez)
Tomás Blanco Santa Cruz...Telegráfico (como Tomas Blanco)
Lorenzo Robledo...Tomaso
Sergio Mendizábal Tucumcari...gerente do banco (como Sergio Mendizabal)


Sinopse

Um pistoleiro misterioso aparece em "El Paso", um lugarejo do Oeste.Ele secretamente persegue o fugitivo El Índio, pois deseja a recompensa. Mas primeiro, ele terá que se livrar de um concorrente, o veterano atirador Coronel Mortimer, que também caça o bandido, mas por motivos pessoais (o bandoleiro raptou e matou a irmã). O pistoleiro, que desconhece esses motivos, tenta afugentar o coronel, confrontando-o numa rua escura: acerta o chapéu do coronel várias vezes com sua arma. Mas o coronel mostra que está preparado e atira de volta no chapéu do pistoleiro com uma arma especial e vence a disputa. Quando as coisas se esclarecem, eles partem atrás do bandido e sua gangue de 14 homens, escondidos em Água Caliente.


Curiosidades
O filme foi feito na região desértica de Almeria, Espanha e os interiores nos estúdios da Cinecittà em Roma. O cenário de "El Paso" ainda existe e tornou-se uma atração turística.
O número de bandidos da gangue é conhecido em função de uma piada ("...um problema de contabilidade") na cena final do filme.

Torrent de "Por uns Dólares a Mais"

TRÊS HOMENS EM CONFLITO


Il buono, il brutto, il cattivo




Itália

1966 ı cor ı 161 min
Dirigido por: Sergio Leone
Elenco Clint Eastwood
Lee Van Cleef
Eli Wallach
Roteiro/Guião Agenore Incrocci
Furio Scarpelli
Luciano Vincenzoni
Sergio Leone

Género western spaghetti
Idioma italiano
IMDb


Il Buono, il brutto, il cattivo (conhecido em Portugal como O Bom, o Mau e o Vilão e no Brasil como Três Homens em Conflito) é o mais conhecido western spaghetti e o último filme da trilogia dos dólares de Sergio Leone, que inclui Por um Punhado de Dólares e Por uns Dólares a Mais. É considerada uma prequela dos outros dois, pois no final o " Estranho sem nome" de Clint Eastwood ganha seu poncho característico.

É estrelado por Clint Eastwood ("Blondie" - loiro, O Bom), Lee Van Cleef (Sentenza "Olhos de Anjo", o Mau) e Eli Wallach (Tuco Benedicto Pacifico Juan Maria Ramirez, O Feio).

Foi filmado na Espanha. Como nos outros filmes, os atores americanos falaram inglês e os italianos, italiano, problema resolvido com dublagem.

O tema de Ennio Morricone é muito conhecido, sendo usado em todo "duelo" em comédia e foi sampleado na canção "Clint Eastwood" do Gorillaz (o nome vem do astro do filme).


Sinopse
Aviso: Este artigo ou seção contém revelações sobre o enredo (spoilers).

Em plena Guerra Civil Americana, um bandido, Tuco (O Feio) descobre sobre um tesouro, mas não sobre sua localização. Quem o faz é "Blondie". Então Tuco tem de se aliar a Blondie para chegar à grana. No meio do caminho, o violento oficial "Olhos de Anjo" também descobre sobre o tesouro. A Wikipédia possui o
Portal de cinema

Torrent de "Três Homens em Conflito"

Textos do wikipédia

terça-feira, 29 de abril de 2008

DEUS E O DIABO NA TERRA DO SOL - 1964 - Glauber Rocha

cartaz do filme deus e o diabo na terra do sol



Pegando carona na frase célebre e que ele vai levar para seu túmulo :"glauber Rocha é uma merda"! de Marcelo Madureira do Casseta e Planeta (não viu? veja aqui), vai aí o torrent de um dos filmes de Glauber que acho obra prima, mas engrossando o coro dos descontentes eu grito: "Terra em transe é uma merda, e se eu tivesse conseguido entender melhor o audio eu poderia dizer um pouco mais sobre o film:-)".


QUE CONTA DEUS E O DIABO NA TERRA DO SOL ?

O argumento de Deus e o Diabo na Terra do Sol é uma síntese de fatos e personagens históricos concretos (o cangaço e o mandonismo local dos coronéis no Nordeste, o beatismo ou misticismo de base milenarista, a literatura de Cordel, Lampião e Corisco, Euclides da Cunha e Guimarães Rosa, Antônio Conselheiro e Antônio Pernambucano (jagunço ou assassino de encomenda de Vitória da Conquista). O vaqueiro Manuel se revolta contra a exploração de que é vítima por parte do coronel Morais e mata-o durante uma briga. Foge com a esposa Rosa da perseguição dos jagunços e acaba se integrando aos seguidores do beato Sebastião, no lugar sagrado de Monte Santo, que promete a prosperidade e o fim dos sofrimentos através do retorno a um catolicismo místico e ritual. Ao presenciar o sacrifício de uma criança, Rosa mata o beato. Ao mesmo tempo, o matador de aluguel Antônio das Mortes, a serviço dos coronéis latifundiários e da Igreja Católica, extermina os seguidores do beato. Em nova fuga, Manoel e Rosa se juntam a Corisco, o diabo loiro, companheiro de Lampião que sobreviveu ao massacre do bando. Antônio das Mortes persegue de forma implacável e termina por matar e degolar Corisco, seguindo-se nova fuga de Manoel e Rosa, desta vez em direção ao mar.

No início, conta a estória, tão freqüente na literatura verista do século XIX, do camponês que, num momento de desespero, mata o patrão escravista. Mas, desde o momento em que Manuel se embrenha na caatinga e se junta ao bando dos fanáticos seguidores do Santo Sebastião -- um profeta negro que afirma que um dia o mar vai virar sertão e o sertão vai virar mar e que o sol choverá ouro e que, portanto, para provocar esse milagre, é preciso matar todos os que fazem o mal, isto é, principalmente os padres e as prostitutas --, desse momento em diante, o filme conta algo de muito moderno: as alucinações, as visões, as práticas e os modos de conduta aberrantes que a fome, a miséria e a ignorância podem inspirar num povo desesperado.

Em São Sebastião e seus seguidores, fome, ignorância e miséria fazem arder uma loucura que os impele até aos sacrifícios humanos; no cangaceiro Corisco, a cujo bando Manuel se junta depois que o Santo Sebastião e seu grupo são destruídos, fome, ignorância e miséria fomentam uma ferocidade insaciável, sistemática, demoníaca.

Assim, o Santo Sebastião e Corisco representam Deus e o diabo, ambos deformados e transtornados pela solidão do sertão. De maneira característica, a solução do problema social representado por figuras como o Santo Sebastião e Corisco é confiada à carabina infalível de Antônio das Mortes, matador profissional, figura sinistra, melancólica e lógica de assassino visionário, o qual imagina que, uma vez eliminados o diabo (Corisco) e Deus (o Santo Sebastião), haverá então a guerra de libertação, ou melhor, a revolução, que redimirá o sertão. É assim que Antônio das Mortes fulmina o profeta e o bandido. Manuel, símbolo do povo brasileiro, escapa, testemunha viva da verdade das teses do filme."

Alberto Moravia, trecho de artigo no semanário L’Espresso, 16/08/64, Rom

elenco
Geraldo Del Rey
Othon Bastos
Maurício do Vale
Yona Magalhães
Lídio Silva
Sônia dos Humildes

Direção: Glauber Rocha
Roteiro: Glauber Rocha e Walter Lima Jr.
Produção:
Música: Heitor Villa Lobos
Fotografia: Waldemar Lima
Desenho de Produção:
Direção de Arte:
Figurino: Paulo Gil Soares
Edição: Rafael Justo Valverde

Quantidade de Mídias: 1
Tamanho: 700 mb
Idioma do Audio: Portugues
Qualidade do Vídeo: Outro
Ano de Lançamento: 1964
Tempo de Duração: 118 min

baixar esse torrent

quinta-feira, 24 de abril de 2008

PEEPING TOM (1960) - Michael Powell



Dizer apenas que Peeping Tom é uma obra-prima, será dizer pouco. Com efeito, esta obra de Michael Powell, datada de 1960, será uma das mais importantes reflexões cinematográficas alguma vez feitas sobre... o Cinema. Estamos perante uma situação limite, onde a câmara funciona como a violadora extrema do ser humano, tornando-se num assunto de vida ou morte, numa obsessão, numa arma, num estado de espírito. No fundo, Powell reflecte sobre os efeitos que o cinema provoca não só em quem o faz, mas também em quem o vê, abordando esse complexo jogo voyeurista através de uma espécie de multiplicidade de pontos de vista: o do seu protagonista, o das pessoas que ele filma e, claro, o do público, aquele que depende cada vez mais das imagens...

Há quem classifique Peeping Tom como um thriller, ou mesmo uma história de horror, mas para evitar equívocos convém esclarecer que o filme se distancia consideravelmente dos nossos ideais sobre estes géneros. Não temos perseguições ou assassinos a surgir repentinamente por detrás de uma porta com uma faca na mão. Temos, isso sim, um complexo jogo emocional que, a considerar a hipótese de este ser um filme de terror, o será acima de tudo devido à relação entre um homem, Mark Lewis (Carl Boehm, numa sinistra e brilhante interpretação) e a câmara de filmar. A certa altura, pensamos mesmo em David Cronenberg e naquele que é um dos temas primordiais do seu cinema: o domínio da máquina sobre o homem. E o que Powell aqui fez (anos antes de Cronenberg fazer o que quer que fosse) foi colocar-nos perante um homem absolutamente dependente da sua máquina de filmar, parte essencial da sua vida desde a infância, desde o tempo em que o seu pai, um cientista, insistia em filmá-lo constantemente de forma a estudar o comportamento e o medo nas crianças. O cinema como o elemento mais aterrorizador de todos? Mais até do que isso, temos o cinema como um órgão vital, e não é por mero acaso, ou por qualquer tipo de limitação em termos de casting que o próprio Powell surge interpretando a figura do pai de Mark, mas sim porque ele próprio quer deixar bem claro que, olhando de frente para a câmara (para nós), pretende analisar-nos como espectadores do seu (e de qualquer) filme, na nossa condição de voyeurs máximos.

Quanto à história, esta começa com um plano de pormenor de um olho a abrir e depois seguimos para uma rua onde, através do olhar da objectiva da câmara, assistimos a um assassinato. Quem o cometeu foi Mark, que vemos de seguida em casa a visionar as imagens que captou do crime que, segundo ele, virão um dia a fazer parte do seu filme documental. Além deste estranho passatempo, Mark ganha também a vida a fotografar imagens eróticas e como responsável pela focagem numa produtora cinematográfica local. Apesar de tímido, Mark parece ter uma ligação normal com os seus colegas de trabalho, mas rapidamente nos apercebemos que este tem o hábito irresistível de observar os outros, preferencialmente com a sua câmara em punho. E é num desses momentos de fixação que Mark conhece Helen (Anna Massey), que de imediato se interessa pela sua personalidade misteriosa e com quem inicia uma relação.

Além deste par, Michael Powell polvilhou o seu filme com personagens secundárias bastante significativas, desde o realizador e a estrela caprichosa do filme para o qual Mark trabalha, aproveitando aqui Powell para lançar algumas críticas mordazes ao seio da própria indústria, passando pelo dono da loja para a qual Mark vende as suas fotos eróticas e as suas próprias modelos e culminando na mãe de Helen que, também não por acaso, é cega. Mais importante do que o mistério da sua história surge a abordagem fenomenal e incisiva ao tema que, sugerindo o cinema como violador da intimidade e fonte causadora de medo e dependência, fez mesmo com que o realizador inglês nunca mais pudesse realizar um filme com a facilidade que o seu estatuto até então permitia, passando os seus projectos a ser rejeitados pelos grandes estúdios que classificaram Peeping Tom como uma obra perigosa e doentia – curiosamente, no mesmo ano Alfred Hitchcock lançou o fabuloso Psycho, que de certa forma abordava uma tema similar e toda a gente, do público aos estúdios ficou deliciada. Mas a realidade é que hoje o filme permanece como um marco importantíssimo na história do cinema e funciona ainda como uma poderosa experiência introspectiva e visual (e forma como as cores são utilizadas, especialmente o vermelho – imagem de marca do cinema de Powell – são de deixar qualquer um estarrecido). Em suma, uma obra indispensável a qualquer cinéfilo e um dos melhores filmes de sempre.


Texto do blog Cine pt

Baixe aqui o torrent

Legendas

quarta-feira, 23 de abril de 2008

ALPHAVILLE (1964) - jean Luc Goddard

cartaz do filme alphaville,de Goddard

Esse filme eu vi a primeira vez na TVe. comecei a assistir pensando que era aquelas porralouquices sem pé nem cabeça de Goddard, mas não, é um puta dum filme de Ficção Científica, meio que nos moldes do livro 1984 de George Orwell, Climão Noir, Fotografia angulosa, diálogos surreais.

Texto tirado do blog "Recanto das letras":

Os franceses sempre foram íntiimos da ficção científica. Não por acaso aquele que é considerado o pai da ficção científica é um francês, Jules Verne.
Aqui o cinema francês marca indiscutível presença com esta que é, talvez, a obra prima do polêmico cineasta Jean Luc Goddard. Confessadamente um fã do cinema americano clássico, Goddard, que diz ser Nicholas Ray o maior de todos os cineastas, faz em Alphaville uma bem sucedida mistura de suas influências cinematográficas, bordeando 'Metropolis', de Lang (no contexto da estória) o cinema 'noir' dos anos quarenta e cinquenta (no qual Nicholas ray foi um dos expoentes) quanto à estética.
Em 'Alphaville', um detetive particular chamado - tipo característico do cinema e da literatura 'noir' de Hammett e Chandler - viaja a um outro planeta onde, em uma cidade chamada Alphaville, ele se defronta contra o cruel dominador da cidade, o cientista Von Braun, que baniu o amor a livre expressão na cidade.
Filme ousado e inventivo, 'Alphaville' faz, pela primeira vez, o encontro de dois gêneros de narrativa distantes: a ficção científica e a estória policial. Esta original mistura proposta por Goddard renderá influências futuras para ambos os gêneros cinematográficos, a exemplo do cultuado 'Blade Runner' de Ridley Scott e 'Missão Alien'(Alien Nation), de 1988, dirigido por Graham Baker.
por este filme, Jean Luc Goddard ganhou o Leão de Ouro no Festival de Berlim como Melhor Diretor.
Disponível em DVD no Brasil pela Europa Filmes.

Clique aqui para baixar o torrent

Trailer original

terça-feira, 22 de abril de 2008

METROPOLIS (1927), FRITZ LANG

cartaz do filme metropolis de fritz lang

Não poderia começar esse blog com outro filme. Esse pra mim é o clássico supremo, Filmaço de Fritz Lang. A abertura é uma sifonia visual perfeita, um dos poucos filmes que chegaram perto foi "era uma vez no oeste", de Sergio Leone.

texto do wikipédia:

"O enredo é ambientado no século XXI, numa grande cidade governada autocráticamente por um poderoso empresário. Os seus colaboradores constituem a classe privilegiada, vivendo em um jardim idílico, como Freder, único herdeiro do dirigente de Metropolis.

Os trabalhadores, ao contrário, são escravizados pelas máquinas, e condenados a viver e trabalhar em galerias no subsolo. Em meio à miséria dos operários, uma jovem, Maria, se destaca, exortando os trabalhadores a se organizarem para reivindicar seus direitos através de um escolhido que virá para os representar.

Através de cenas de forte expressão visual, com o recurso a efeitos especiais, algumas se tornaram clássicas, como a panorâmica da cidade com os seus veículos voadores e passagens suspensas. Alusões bíblicas, mistério, ação e romance, completam o leque que envolve o público e o mantém em suspense até ao final.

À época, Metropolis impressionou tanto Hitler que, quando ele chegou ao poder, solicitou ao Ministro Goebbels que abordasse Lang, convidando-o a fazer filmes para o partido nazista. Enquanto Thea Von Harbou, sua esposa à época, mergulhou no projeto, Lang evadiu-se para Paris, onde chegou a produzir filmes de conteúdo antinazista, passando-se posteriormente para os Estados Unidos, onde faleceu.

A obra demonstra uma preocupação crítica com a mecanização da vida industrial nos grandes centros urbanos, questionando a importância do sentimento humano, perdido no processo. Como pano de fundo, a valorização da cultura, expressa no filme através da tecnologia e, principalmente, da arquitectura.


Curiosidades

A composição torre de Metropolis foi inspirada na obra Torre de Babel do pintor flamengo Pieter Brueghel, do século XVI. A máscara do robô foi inspirada nos trabalhos dos escultores Oscar Schelmmer e Rudolf Belling."

Torrent aqui

Trailer: